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A VIDA

 

Aquilo que conhecemos como vida, desde a mais pequena célula ao organismo mais desenvolvido, tem certas características básicas que a diferencia da matéria inorgânica. Apesar de ter os mesmos constituintes moleculares e atómicos, algo a torna única.

Um organismo vivo exerce essencialmente 4 funções:

1.  Organiza-se internamente de acordo com determinado padrão, isto é, contém uma programação pré-estabelecida que define a sua morfologia e partes constituintes.

2.  Capta elementos existentes na sua envolvente, tanto inertes como presentes em outros organismos e transforma-os na sua própria matéria ou em energia.

3.  Contém uma função de geração de novos organismos idênticos a si próprio.

4.  Pode conter uma função de mobilidade própria.

A vida é matéria e energia organizada no espaço e no tempo. Além disso é uma parte do universo observável capaz de gerar outras “vidas” semelhantes a si própria.

Para entender como esta coisa chamada vida surgiu, é preciso entender primeiro alguns conceitos.

O PAPEL DA CIÊNCIA

Precisamos entender que a ciência observa e estuda dados. Estuda, então, os dados que consegue observar.

Infelizmente o corpo humano só perceciona os dados absolutamente necessários à sobrevivência imediata. As perceções limitam-se a transmitir-nos uma gama de luz, som, cheiro, etc. que precisamos para sobreviver no ambiente que nos rodeia. E, é claro, isso é uma ínfima parte da informação existente.

Sabendo isso, a ciência começou a desenvolver instrumentos para ter acesso a mais dados não observáveis diretamente. Isso deu um enorme incremento ao desenvolvimento de todas as ciências. Mas, mesmo assim, sabemos que existem muitos outros dados que ainda não estão acessíveis.

Como sabemos? Pela observação dos efeitos. O exemplo mais vulgar é a questão da gravidade. Todos observamos a sua existência, mas a ciência ainda não conseguiu descobrir verdadeiramente o que ela é. Aí entramos no campo das teorias em que a mais famosa é a de Einstein. Mesmo Newton, o grande cientista que estabeleceu as leis da gravidade dizia, no final das suas descrições:” Quanto à natureza dessa força deixo isso ao critério do leitor”.

Existem muitos outros exemplos que partem de efeitos observáveis sobre os quais são desenvolvidas teorias pelos físicos teóricos e cuja validade é procurada pelos físicos práticos. Muitas delas ainda não conseguiram ser provadas.

Mas um dos campos onde, nem os físicos teóricos nem práticos, se querem introduzir, diz respeito à vida e à consciência.

É óbvio que existe uma parte substancial do universo ainda inexplorada por falta de capacidade de deteção dos elementos que a compõem. No entanto sabe-se que existe, pois podemos detetar os seus efeitos.

O PADRÃO TREINADO?

Vejamos um desses elementos com o qual lidamos permanentemente.

Quando se aprende a conduzir um carro, já não se pensa mais nisso. É uma rotina que é armazenada em algum lugar e funciona automaticamente. O mesmo acontece com qualquer outra habilidade que se aprende.

Quando uma capacidade se refere à produção de algo, a pessoa pode fazê-lo automaticamente e, se a conhece muito bem, nem sequer tem de pensar nisso.

Crê-se normalmente que estas rotinas estão armazenadas no cérebro. Na verdade, houve experiências feitas por neurologistas em animais, que não conseguiram comprovar que as suas rotinas de treino estivessem armazenadas em nenhum lugar do cérebro!

Então, onde estão armazenadas estas rotinas?

ENTROPIA

A entropia é um conceito complexo, mas pode ser descrito simplesmente como o grau de desordem ou equilíbrio energético. Pode-se dizer que qualquer coisa tende para um caos máximo, ou um equilíbrio com o ambiente (maior entropia) se não houver nada a agir sobre ele.

A segunda lei da termodinâmica diz assim:

"A entropia total de um sistema isolado nunca pode diminuir ao longo do tempo. Os sistemas isolados evoluem espontaneamente para o equilíbrio termodinâmico, o estado com entropia máxima. "

Algo organizado tem menos entropia do que algo desorganizado. Então, para organizar algo tem de se agir sobre isso, ou a sua tendência natural é para a desordem, isto é, aumento da entropia.

Qualquer sistema em que a entropia diminua (se torne mais organizado) tem de ter um agente externo que atue sobre ele.

É óbvio que a vida corresponde a uma diminuição da entropia, isto é, é um sistema organizado.

Então, qual é este agente que age sobre a matéria para criar vida?

DO INÍCIO DA VIDA ATÉ AO CORPO HUMANO

A vida é matéria e energia organizada no espaço e no tempo. Assim, a sua entropia diminuiu. Para que isso pudesse acontecer teve de haver um agente externo.

Para que a vida exista, devem existir compostos orgânicos como carboidratos que são, basicamente, lípidos proteínas e nucleótidos[1],. Trata-se de combinações extremamente complexas de carbono e hidrogénio e alguns outros elementos, que só aparecem onde há vida e que são a base para essa vida.

Tem, então, de ter havido um "programa" externo que “orientou” estes elementos para se ligarem (concatenarem) de modo a se tornarem nestes (formarem esses) compostos.

O corpo humano é constituído por cerca de 30 biliões de células (30x1012), cada uma com 23 pares de cromossomas, cada um com 3.000 pares de letras genéticas. Além disso, cada célula é uma fábrica que contém, não só o núcleo com a informação genética e demais instruções para o seu funcionamento, mas também, no citoplasma que rodeia o núcleo, as organelas – pequenos órgãos – que executam várias funções.

Cada célula tem de ter armazenadas todas as informações necessárias à organização de um corpo. Mesmo considerando que cada gene, de acordo com os dados científicos, armazene 88.000 informações, o genoma conteria 3 biliões de informações (3,08 x 109), o que é manifestamente pouco para controlar todas as futuras funções do organismo.

Este é um dos casos em que a ciência, baseada na quantidade de informação necessária para organizar um corpo, postulou inicialmente que deveria haver mais de 100 mil genes. As mais recentes análises apontam para apenas 19.000 dos quais, mais de 18.000, são anteriores ao aparecimento dos primatas, isto é, são comuns a quase toda a vida! Só cerca de 1.000 genes definem a constituição do corpo humano!

Esta contradição só é explicável se admitirmos que existe um outro tipo de software[2] que acompanha cada elemento físico do genoma humano.

A MATRIZ HUMANA

À medida que se sobe na árvore da vida, programas cada vez mais complexos organizam a vida partindo de organismos unicelulares até multicelulares.

O que é este programa? Tal como os padrões de treino, não estão no universo observável! É algo que não é matéria nem energia física observável (ou já teria sido detetada), mas que controla a matéria e a energia físicas transformando-as em “vida”. Podemos atribuir a esse tipo de “energia” o nome de "lambda" ou "l" a letra grega para “L” de “Life” (Vida).

Lambda conterá então, necessariamente, o "software" que acompanha o hardware da vida.

Em cada célula, em cada órgão, em cada sistema, há um programa que o controla e lhe dá aquilo a que chamamos vida.

Cada zigoto[3] foi constituído a partir de um óvulo e um espermatozoide, cada um com o software de um ser completo. Estes dois combinam-se num único programa. Podemos chamar a este programa a “Matriz Humana” ou “Entidade Genética”.

Esta "matriz" é responsável pelo desenvolvimento, manutenção e morte do organismo.

Este software lambda é auto replicável e acompanha cada óvulo e espermatozoide. Não é um único programa: tem de ter uma enorme quantidade de rotinas, cada uma lidando com um aspeto específico do corpo, desde cada célula até à forma global (globalidade) do corpo.

Cada célula que se divide em duas replica, não só todo o seu conteúdo genético, como também a matriz lambda. Embora todas as células contenham o genoma[4] completo do organismo a que pertencem, cada uma especializa-se em fazer determinadas funções pelo que é possível que apenas tenha ativa a rotina lambda que lhe é necessária.

Existem, no entanto, as chamadas células estaminais, ou células mãe, que se podem transformar em qualquer outro tipo de célula, pelo que contêm ativas todas as rotinas celulares do organismo.

Lidamos assim com uma interface extremamente complexa, que usamos no dia a dia e que nos transmite a realidade percecionada através dos sentidos, e que usamos para modificar o ambiente à nossa volta.

O seu software teria então de conter:

1.    Uma matriz do conjunto total, uma “imagem” do corpo completo, seu aspeto, cor, tamanho, etc.

2.    Uma matriz para cada um dos sistemas internos, uma “imagem” do esqueleto, sistema nervoso, sistema circulatório, etc.

3.    Uma matriz para cada órgão;

4.    Uma matriz para cada tipo de célula ou tecido celular;

5.    Regras sobre a função de cada constituinte da célula.

A INFLUÊNCIA NA MATRIZ BIOLÓGICA

Este conjunto monstruoso de instruções é, no entanto, bidirecional.

Isto quer dizer que tanto transmite as suas instruções para os átomos e moléculas do organismo, como recebe e armazena informação de todas as partes do corpo e, através destes, do ambiente.

Isto permite-lhe que, ao longo dos tempos, cada nova geração possa estar mais adaptada aos problemas encontrados no ambiente ou possa desenvolver mais os aspetos que foram bem-sucedidos.

Por outro lado, sendo talvez esta energia ou partícula lambda da mesma espécie que a “consciência”, o pensamento ou os padrões treinados, pode haver uma interação entre eles. Deste modo se explica que certas emoções provoquem alterações profundas no funcionamento de certos órgãos, e que alterações nos órgãos produzam diferentes estados de consciência.

As alterações sofridas pela matriz entre a conceção do zigoto e a geração de um novo zigoto, seriam também transmitidas à matriz do novo ser, pelo que problemas numa geração podem ser transmitidos às seguintes.

Por outro lado, supomos que todas as memórias que digam respeito a automatismos do corpo e seus músculos, estejam também registadas nesta matriz pelos que é possível que os padrões de treino de que se falou no início, sejam, em certa medida, passados às gerações futuras. Como o povo diz, “filho de peixe sabe nadar”…

 

Gal Al



[1] um amplo grupo de compostos químicos orgânicos naturais, que constituem alguns dos principais componentes dos seres vivos

[2] logiciário ou suporte lógico (em português), é uma sequência de instruções a serem seguidas e/ou executadas, na manipulação, redireccionamento ou modificação de um dado (informação) ou acontecimento.

[3]  Célula que resulta da fecundação de um óvulo por um espermatozoide.

[4]  Conjunto de toda a informação genética de um indivíduo ou de uma espécie, codificada no ADN.

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