(do “Relatório Blair, Volume 2”)
Os compêndios de Elisa eram extremamente complexos. A minúcia das narrativas não deixava nada ao acaso. Eu não tinha frequentado nenhum dos cursos da Guarda de Manutenção e tudo aquilo era novida-de para mim.
Elisa tinha mencionado uma vez a “Grande Purga” e lancei-me na sua busca entre os milhares de documentos que constavam do seu ordenador.
Finalmente encontrei uma descrição, embora reduzida. Parecia que se tentava esconder algo que envergonhava a Federação Galáctica. A história descrevia sucintamente a captura de minorias em todos os planetas da Federação e o seu transporte para a Terra onde, de seguida , toda a vida havia sido eliminada.
Terminava com uma descrição de que, após anos de guerra, os responsáveis pelo grande genocídio tinham sido presos e apresentados a tribunal.
Eram eles o Chefe da Polícia Secreta, o Chefe da Associação Psiquiátrica, o Chefe do Departamento de Justiça, o Chefe do Banco Galáctico, para além do próprio Governante Supremo da Federação Galáctica da altura. Todos eles foram julgados e condenados a serem presos e permanecerem vivos tanto tempo quanto possível.
Isto pode parecer estranho para a forma de pensar humana, mas já nessa altura se sabia que um criminoso morto era um espírito livre de ocupar outro corpo e continuar a sua carreira criminosa.
Todos eles foram encerrados em grutas dentro de uma montanha e ligados a sistemas de manutenção de vida que manteriam o seu corpo vivo durante milhões de anos, de modo a aprisionar a sua consciência.
Em nenhum local encontrei uma descrição do local da prisão, mas pareceu-me lógico que eles fossem aprisionados no próprio planeta que tinham destruído. Mas em que lugar na Terra?
Uma lenda me chamou a atenção. No atlântico norte, a cerca de 760 km da costa de África, atravessada pelo paralelo 17 Oeste, encontra-se uma ilha denominada Madeira. Na sua zona sudeste encontra-se um vale que desemboca no mar, onde se encontra a Vila de Machico.

A cerca de 2,5 km para o interior da ilha existe um complexo de quatro grutas, denominado “Furnas do Cavalum”. Estas grutas são escavadas na rocha de basalto e são classificadas geologicamente (à falta de melhor explicação) como tubos de lava, totalizando cerca de 590 metros de comprimentos. Estas grutas são assim chamadas devido à lenda do “Cavalum”, um diabo em forma de um enorme cavalo com asas de morcego que deita fogo pelas narinas, e que foi preso nas cavernas onde ainda hoje se ouvem os seus protestos de raiva e desespero. A lenda diz que foram as forças do bem que aí o aprisionaram de-pois deste ter tentado destruir o mundo com tempestades.
Cavalum 1
Cavalum 2
Cavalum 3
Cavalum 4
Não existe ali qualquer vestígio nem de equipamento nem de corpos humanos.
Se essas foram realmente as prisões de quatro indivíduos, então talvez a lava de que os geólogos falam tenha arrasado com tudo sem deixar vestígios anteriores.
Mas também significa que os prisioneiros estão agora livres…